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Edição nº 6 Julho de 2026
KUSTER SOBREIRA
ADVOGADOS
Boletim
Informativo
Decisões publicadas entre
13 a 17 de julho de 2026
Boletim Informativo · Kuster Sobreira Advogados
Mineração e Siderurgia · Direito do Trabalho · Aposentadoria e Benefícios
 
Mina de ferro a céu aberto em Itabira, Minas Gerais
Tentar atrasar o processo custou multa à empresa, na semana em que a insalubridade dominou
TRT de Minas e Tribunal Superior do Trabalho publicaram 189 decisões de mérito no período; 7 em cada 10 reconheceram ao menos um direito, e o adicional de insalubridade liderou com folga.
Má-fé processual
Rediscutir o que já estava decidido custou multa de 2% à empresa
 
Insalubridade
77 reconhecimentos na semana; óleo mineral segue rendendo grau máximo
 
Aposentadoria
PPP correto sob multa diária e Valia reajustada pelo maior índice

Chegamos à sexta edição mantendo a mesma proposta: reunir, toda semana e em linguagem simples, decisões da Justiça do Trabalho que reconhecem direitos de quem trabalha ou trabalhou na mineração e na siderurgia, além de temas ligados à aposentadoria e a benefícios.

Cada caso é apresentado em três etapas: o que estava em discussão, o que o julgador decidiu e em quais situações essa decisão pode ter relação com a sua vida.

Guarde este e-mail. A história de um colega, contada aqui, pode ser muito parecida com a sua.

Os números da semana
189
decisões de mérito na semana
 
7 em 10
com direito reconhecido ao trabalhador
 
77
reconhecimentos de insalubridade
Jornada, intervalos e a vitória que ficou mais firme
3 decisões nesta edição
01
Vale  ·  TRT-3
A empresa tentou rediscutir o que já estava decidido e saiu multada por má-fé
Entenda o caso

Ganhar um direito na sentença nem sempre é o fim da história: a empresa pode recorrer, embargar, questionar. É legítimo, até o ponto em que vira manobra para ganhar tempo. Neste caso, que os leitores da nossa Edição nº 2 conhecem (a folga que só vinha depois do sétimo dia de trabalho), a Vale opôs embargos tentando rediscutir o intervalo e até a justiça gratuita do trabalhador.

O que a Vara do Trabalho decidiu

A 1ª Vara do Trabalho de Nova Lima rejeitou os embargos: a sentença estava fundamentada e não havia vício algum a corrigir, apenas a tentativa de rediscutir o mérito, o que embargos não servem para fazer. E foi além: declarou os embargos protelatórios e condenou a empresa por litigância de má-fé, com multa de 2% sobre o valor atualizado da causa (artigo 1.026, parágrafo 2º, do CPC). Caso conduzido pelo escritório.

Quando isso pode se aplicar a você

Se no seu processo a empresa multiplica recursos que só repetem argumentos, saiba que a lei tem freio para isso, e a conta da demora pode cair no bolso de quem atrasa. Cada manobra protelatória identificada fortalece a sua posição.

Processo 0010062-75.2026.5.03.0165 · Vara do Trabalho de Nova Lima (1ª)
02
Vale  ·  TRT-3
O acordo prometia 75 minutos de almoço; a rotina só entregava 60
Entenda o caso

Quando o acordo coletivo garante um intervalo maior que o da lei, ele vira obrigação. Em João Monlevade, o ACT previa 75 minutos de almoço, mas a prova mostrou que, na prática, o trabalhador só conseguia parar por uma hora.

O que a Vara do Trabalho decidiu

A 1ª Vara do Trabalho de João Monlevade comparou a promessa com a rotina: o ACT 2023/2025 garantia 75 minutos e a prova oral demonstrou a fruição de apenas 60. Os 15 minutos suprimidos por dia devem ser indenizados com o adicional de 50%, por todo o período contratual.

Quando isso pode se aplicar a você

Confira no seu acordo coletivo quanto intervalo você tinha direito e compare com o que dava para tirar de verdade. Minutos que parecem pouco, somados dia após dia por anos, viram valor relevante.

Processo 0011234-98.2025.5.03.0064 · Vara do Trabalho de João Monlevade (1ª)
03
CSN Mineração  ·  TRT-3
Almoço com rádio na mão e chamado no meio: intervalo que não descansa se paga
Entenda o caso

O intervalo existe para desligar: comer com calma, descansar a cabeça. Mas em muita operação o trabalhador segue acionável na pausa, atende chamado, resolve pendência, volta antes. A pergunta do processo: isso ainda é intervalo?

O que o TRT de Minas decidiu

A 7ª Turma do TRT de Minas disse que não: comprovado que o trabalhador era acionado durante a pausa, permanecendo à disposição da empresa, não houve fruição efetiva do descanso do artigo 71 da CLT. Intervalo interrompido é intervalo devido.

Quando isso pode se aplicar a você

Se a sua pausa era com rádio ligado, telefone à mão ou chamados frequentes, anote como funcionava e quem presenciava. Intervalo que não desliga o trabalhador do serviço pode virar pagamento com adicional.

Processo 0011491-14.2025.5.03.0165 · TRT da 3ª Região (7ª Turma)
Adicionais de insalubridade e periculosidade
3 decisões nesta edição
04
Vale  ·  TRT-3
Doze meses com óleo mineral na pele: insalubridade em grau máximo
Entenda o caso

O óleo mineral está no topo da lista de agentes insalubres da NR-15, e não é à toa: o contato habitual com a pele é tratado no grau mais grave. No processo, a perícia examinou um ano de exposição na função.

O que a Vara do Trabalho decidiu

A 2ª Vara do Trabalho de Nova Lima acolheu o laudo: contato com óleo mineral pelo Anexo 13 da NR-15, sem prova técnica em sentido contrário. Insalubridade em grau máximo, com adicional de 40%.

Quando isso pode se aplicar a você

Se a sua rotina envolvia óleos, graxas e lubrificantes, descreva ao perito com detalhe o contato de cada dia: onde tocava, quanto tempo, com que proteção. É essa precisão que sustenta o grau máximo.

Processo 0010149-31.2026.5.03.0165 · Vara do Trabalho de Nova Lima (2ª)
05
Gerdau  ·  TRT-3
Óleo cancerígeno sem creme de proteção: adicional devido até nas férias
Entenda o caso

Na siderurgia também se vive de óleo mineral, e ele é classificado como agente cancerígeno. A empresa alegava proteção; a perícia foi verificar o que de fato se entregava ao trabalhador.

O que o TRT de Minas decidiu

A 7ª Turma do TRT de Minas confirmou a exposição habitual ao óleo mineral (Anexo 13 da NR-15) sem o fornecimento adequado de vestimentas e creme de proteção. Dois pontos importantes da decisão: o adicional é devido independentemente de dano efetivo à saúde, porque a exposição em si já é o que a lei tarifa, e o pagamento alcança inclusive os períodos de férias.

Quando isso pode se aplicar a você

Não espere adoecer para buscar o direito: a exposição ao agente já gera o adicional. E repare nos detalhes da proteção: creme que faltava, vestimenta que não vinha, troca que atrasava. É aí que a defesa da empresa costuma ruir.

Processo 0010702-28.2023.5.03.0054 · TRT da 3ª Região (7ª Turma)
06
Vale  ·  TRT-3
Manutenção em bombas de combustível é trabalho perigoso, diz a perícia
Entenda o caso

Quem faz manutenção em bombas e sistemas de combustível convive com inflamáveis, e a NR-16 trata essa convivência como periculosidade. A discussão era se a rotina do trabalhador se encaixava na norma.

O que a Vara do Trabalho decidiu

A 2ª Vara do Trabalho de Nova Lima acolheu o laudo: atividades de manutenção em bombas com combustível inflamável caracterizam periculosidade pelo Anexo 2 da NR-16, por todo o período não prescrito. Como não se acumula com insalubridade, prevalece o adicional mais vantajoso em cada mês.

Quando isso pode se aplicar a você

Se você mexia com combustíveis, mesmo sem ser frentista ou motorista de tanque, a periculosidade pode alcançar a sua função. Descreva ao perito o equipamento, o produto e a frequência do contato.

Processo 0010148-46.2026.5.03.0165 · Vara do Trabalho de Nova Lima (2ª)
Remuneração e FGTS
1 decisão nesta edição
07
Vale  ·  TRT-3
FGTS sobre as parcelas ganhas na Justiça: tese obrigatória em todo o TRT de Minas
Entenda o caso

Quando o trabalhador ganha um adicional na Justiça, o FGTS sobre essa parcela às vezes vira nova briga: a empresa diz que a sentença não mandou depositar. Essa discussão acaba de ganhar resposta obrigatória para todos os processos da região.

O que o TRT de Minas decidiu

A 10ª Turma aplicou o artigo 15 da Lei 8.036/90 e o IRDR Tema 39 do TRT de Minas, julgado em março de 2026 e de observância obrigatória: o FGTS incide sobre toda a remuneração paga ou devida, e determinar o recolhimento não viola a coisa julgada mesmo quando a sentença não o mencionou expressamente, por ser imposição da própria lei.

Quando isso pode se aplicar a você

Se você já ganhou parcelas na Justiça, confira se o FGTS de 8% sobre elas entrou na conta vinculada. Com a tese obrigatória na região, essa diferença ficou mais difícil de a empresa escapar.

Processo 0011049-50.2023.5.03.0187 · TRT da 3ª Região (10ª Turma)
 

Cada caso tem particularidades próprias, e situações parecidas podem ter desfechos diferentes. Guarde seus contracheques, cartões de ponto e demais documentos do trabalho, que são a base de qualquer análise.
Consulte um especialista de sua confiança.

Saúde, respeito e dano moral
1 decisão nesta edição
08
Vale  ·  TRT-3
Áudios e conversas ofensivas viraram prova: empresa paga por ambiente hostil
Entenda o caso

Humilhação no trabalho costuma acontecer longe de câmera. Mas ela deixa rastro: mensagens, áudios, relatórios médicos do adoecimento que provoca. Neste caso, o trabalhador guardou esse rastro.

O que o TRT de Minas decidiu

A 11ª Turma do TRT de Minas reconheceu o ato ilícito comprovado por relatórios médicos, áudios e transcrições de conversas ofensivas, somado à omissão da empresa no dever de fiscalizar e manter um ambiente de trabalho respeitoso (artigos 7º, inciso XXII, e 200 da Constituição; artigo 157 da CLT). O dano moral, nesse cenário, presume-se da própria situação.

Quando isso pode se aplicar a você

Se você vive ou viveu tratamento ofensivo no trabalho, preserve as provas: mensagens, áudios, e-mails, atestados. O que parece desabafo guardado no celular pode ser exatamente o que faltava para a Justiça enxergar o que acontecia.

Processo 0011334-47.2025.5.03.0163 · TRT da 3ª Região (11ª Turma)
Aposentado comemorando de braços abertos ao completar uma corrida no parque
Aposentadoria e benefícios
2 decisões nesta edição
09
Vale  ·  TRT-3
PPP correto é direito, e agora com multa de R$ 100 por dia de atraso
Entenda o caso

O PPP é o documento que conta ao INSS a que você esteve exposto na carreira, e é ele que abre (ou fecha) a porta da aposentadoria especial. Quando a empresa entrega o papel incompleto, o prejuízo aparece anos depois, na hora de se aposentar.

O que a Vara do Trabalho decidiu

A 2ª Vara do Trabalho de Ouro Preto, com base no laudo que constatou insalubridade por vibração, aplicou o artigo 58, parágrafo 4º, da Lei 8.213/91: a empresa tem obrigação legal de fornecer o PPP com as anotações corretas, e agora sob multa de R$ 100 por dia de atraso, até o teto de R$ 2 mil.

Quando isso pode se aplicar a você

Peça o seu PPP e leia com atenção: os agentes a que você se expôs estão lá? Ruído, vibração, poeira, químicos? PPP incompleto se corrige na Justiça, e cada correção pode valer anos na contagem da aposentadoria especial.

Processo 0011866-46.2025.5.03.0187 · Vara do Trabalho de Ouro Preto (2ª)
10
Vale  ·  TRT-3
A regra de reajuste que a própria empresa criou tem que ser cumprida: Valia pelo maior índice
Entenda o caso

As Resoluções 05/87 e 07/89 da Vale prometiam reajustar o abono de complementação pelo maior índice entre os previstos. Com o tempo, a prática foi ficando menor que a promessa, e o benefício foi perdendo força.

O que a Vara do Trabalho decidiu

A 2ª Vara do Trabalho de Itabira foi direta: norma que a própria empregadora instituiu incorpora-se ao contrato e deve ser rigorosamente observada (Súmula 51 do Tribunal Superior do Trabalho e artigo 468 da CLT). O reajuste devido é pelo maior índice entre os previstos nas resoluções.

Quando isso pode se aplicar a você

Aposentados e pensionistas com complementação da Vale/Valia que viram o benefício minguar nos reajustes podem ter diferenças a receber. Os contracheques do benefício e o histórico de reajustes contam a história.

Processo 0010881-28.2025.5.03.0171 · Vara do Trabalho de Itabira (2ª)

Cada decisão acima nasceu das provas daquele processo, e situações parecidas podem ter desfechos diferentes. É exatamente por isso que a análise individual do seu caso vale mais do que qualquer regra geral. Se alguma das histórias desta edição lembrou a sua rotina, anote o que você viveu, separe seus documentos e converse com a gente.

 

Este boletim tem finalidade exclusivamente informativa e não substitui a análise individual de cada caso.
Consulte um especialista de sua confiança.

Kuster Sobreira Advogados · OAB/MG 22.473 · Itabirito/MG
(31) 99598-8423 · [email protected] · kustersobreira.com.br

Conteúdo informativo: não substitui consulta jurídica e cada caso tem suas particularidades. Assinantes recebem esta edição por e-mail e WhatsApp antes da publicação aqui. Fontes: decisões públicas do TRT da 3ª Região e do Tribunal Superior do Trabalho citadas no corpo do boletim.
Imagens: mina de ferro em Itabira/MG, foto de Josue Marinho (Wikimedia Commons, CC BY 3.0); caminhão fora de estrada, foto de Greg Goebel (Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.0).
Boletim distribuído aos clientes por e-mail e WhatsApp toda segunda-feira.

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